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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Mudanças

Uma vida melhor. Acho que durante toda minha existência tenho procurado por isso, em todos os sentidos. E cada vez mais, percebo que minha procura se frustra nas injustiças desse mundo, que por mais que eu tente ser fiel aos meus preceitos, eles não são fieis a mim. O mundo dá voltas, eu fico parado.
Mexendo aqui nas minhas coisas, encontrei algumas linhas escritas em um momento de total entrega, acho que já faz uns 3 anos, me surpreendi com a veracidade dessas palavras na minha vida ainda hoje, e isso me desnorteou o suficiente para me fazer desabafar onde sei que o conforto não espera. Eis o fim do texto:
"Ei meus amigos, matem a saudade do velho perdedor! O cara que perdeu tudo, que na vida nunca amou. Ele está de volta, de cara e alma lavada, pronto pra conversar, pra contar suas decepções, enquanto ouve histórias do incrível êxodo rural dos que ficaram querendo apenas a roça".
Se fosse tão fácil mudar, quanto se é falar sobre mudar, agora eu estaria fazendo as malas de minha alma, e partindo pra um lugar melhor, onde de fato eu seria feliz.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Arrumando as coisas

Bem, hoje tive que dar uma geral no meu quarto, organizar umas gavetas, ver o que da pra jogar fora, enfim: abrir espaço para as coisas novas. Não me surpreendi com a quantidade de bugiganga que eu tenho guardada, sempre fui assim, sei lá, dá uma pontada de tristeza toda vez que penso em jogar algo fora, o que me surpreendeu de verdade foi o efeito que mexer nessas coisas antigas me causou!
Sabe, pegar uma carta antiga (ou nem tão antiga assim), ou um objeto que foi importante em certa ocasião, traz à tona lembranças, que não adianta eu tentar explicar, não vou conseguir! Vem a certeza de que o tempo acaba corrigindo as coisas. Tanta coisa que em uma certa época da vida era tão importante, acaba não sendo mais.
É claro que esse efeito nostálgico foi potencializado por um dia não muito agradável. Não fiz absolutamente nada que se pode chamar de bom! Dormi a maior parte do dia, comi umas besteiras (vale lembrar que estou de regime), dei uma corrida, e o restante do tempo fiquei na Internet ou assistindo The Walking Dead! Vejam só, apenas coisas não saudáveis e depressivas, realmente não posso reclamar desse vazio que possuo agora no peito enquanto escrevo.
Conheço várias pessoas que iriam querer explicar esse vazio, e me darem várias formas de vencê-lo, mas a verdade é que todo mundo sente se assim de vez em quando. E quando se fica assim por muito tempo, os especialistas em mentes humanas, classificam o indivíduo como estando em Depressão, acho que é essa sensação, só pode ser!
Que atire a primeira pedra, quem nunca parou pra pensar na Existência e no Universo, e em como se é pequeno diante de tudo que há; quem nunca ficou triste por saber que poderia ter feito algo melhor, ou por saber que falhou com quem não poderia falhar.
A vida é assim mesmo, o importante é não desistir. Amanhã é outro dia e as coisas vão estar melhores, existem mais pessoas no mundo pra Tristeza ir atazanar, ela vai me deixar em paz, eu sei que vai!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Justificando o Título

Se interessar a alguém, deixo aqui a fonte de inspiração para o título desse blog! Estava eu, a folhear o sensacional Dom Casmurro de Machado de Assis, quando me deparo com o título do capítulo 94: Ideias Aritméticas. Ao reler o capítulo, novamente o achei primoroso (novamente porque eu já havia achado primoroso das outras vezes que o tinha lido). Como  eu já estava a procura de um título bacana pro meu depósito de textos, resolvi adotá-lo. Bem, minha principal justificativa é o fato de que nesse capítulo, o velho bruxo tenha explorado de maneira maravilhosa a relação entre letras e algarismos - os símbolos de nosso dia a dia!
Na verdade, a mistura desses símbolos é bastante comum a um estudante de Matemática! Se alguém não sabe, eu Lucas Briganti, sou um "feliz" aluno do curso de Matemática da Unesp Rio Claro. Assim sendo, tenho a inspiração e tenho a justificativa (não que eu precisasse de alguma delas). Soma-se a isso o fato de eu considerar Machado o maior autor brasileiro, e de achar bastante interessante começar algo citando sua obra. Segue um trecho do capítulo:
"(...) A vocação era tal que o fazia amar os próprios sinais das somas, e tinha esta opinião que os algarismos, sendo poucos, eram muito mais conceituosos que as vinte e cinco letras do alfabeto. 
-Há letras inúteis e letras dispensáveis, dizia ele. Que serviço diverso prestam o d e o t? Têm quase o mesmo som. O mesmo digo do b e do p, o mesmo do s, do c e do z, o mesmo do k e do g, etc. São trapalhices caligráficas. Veja os algarismos: não há dous que façam o mesmo ofício; 4 é 4, e 7 é 7. E admire a beleza com que um 4 e um 7 formam esta cousa que se exprime por 11. Agora dobre 11 e terá 22; multiplique por igual número, dá 484, e assim por diante. Mas onde a perfeição é maior é no emprego do zero. O valor do zero é, em si mesmo, nada; mas o ofício deste sinal negativo é justamente aumentar. Um 5 sozinho é um 5; ponha-lhe dous 00, é 500. Assim, o que não vale nada faz valer muito, cousa que não fazem as letras dobradas, pois eu tanto aprovo com um p como com dous pp. (...)"