Se interessar a alguém, deixo aqui a fonte de inspiração para o título desse blog! Estava eu, a folhear o sensacional Dom Casmurro de Machado de Assis, quando me deparo com o título do capítulo 94: Ideias Aritméticas. Ao reler o capítulo, novamente o achei primoroso (novamente porque eu já havia achado primoroso das outras vezes que o tinha lido). Como eu já estava a procura de um título bacana pro meu depósito de textos, resolvi adotá-lo. Bem, minha principal justificativa é o fato de que nesse capítulo, o velho bruxo tenha explorado de maneira maravilhosa a relação entre letras e algarismos - os símbolos de nosso dia a dia!
Na verdade, a mistura desses símbolos é bastante comum a um estudante de Matemática! Se alguém não sabe, eu Lucas Briganti, sou um "feliz" aluno do curso de Matemática da Unesp Rio Claro. Assim sendo, tenho a inspiração e tenho a justificativa (não que eu precisasse de alguma delas). Soma-se a isso o fato de eu considerar Machado o maior autor brasileiro, e de achar bastante interessante começar algo citando sua obra. Segue um trecho do capítulo:
"(...) A vocação era tal que o fazia amar os próprios sinais das somas, e tinha esta opinião que os algarismos, sendo poucos, eram muito mais conceituosos que as vinte e cinco letras do alfabeto.
-Há letras inúteis e letras dispensáveis, dizia ele. Que serviço diverso prestam o d e o t? Têm quase o mesmo som. O mesmo digo do b e do p, o mesmo do s, do c e do z, o mesmo do k e do g, etc. São trapalhices caligráficas. Veja os algarismos: não há dous que façam o mesmo ofício; 4 é 4, e 7 é 7. E admire a beleza com que um 4 e um 7 formam esta cousa que se exprime por 11. Agora dobre 11 e terá 22; multiplique por igual número, dá 484, e assim por diante. Mas onde a perfeição é maior é no emprego do zero. O valor do zero é, em si mesmo, nada; mas o ofício deste sinal negativo é justamente aumentar. Um 5 sozinho é um 5; ponha-lhe dous 00, é 500. Assim, o que não vale nada faz valer muito, cousa que não fazem as letras dobradas, pois eu tanto aprovo com um p como com dous pp. (...)"

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